SPRW 2012: AK Vila

Às vezes acho que parece que nós gostamos quando não gostamos de um lugar. Como se a gente curtisse criticar algo, alguém ou alguma coisa. Ledo engano. A verba de nossas aventuras gastronômicas sai de nosso próprio bolso, por isso não ficamos nada felizes em pagar para comer mal ou para sermos atendidas com desleixo. Sendo assim, nada melhor do que, depois de duas tentativas frustradas, eu finalmente poder dizer que eu gostei do menu do AK Vila neste SPRW. Gostei não, adorei! O serviço continua deixando a desejar em gentileza e atenção, mas o atendimento foi rápido sem que afetasse o sabor e a temperatura dos pratos.

De entrada, escolhi a porção de falafel, que na primeira visita tinha decepcionado, e agora veio perfeita. Minha amiga foi de carpaccio de rosbife em crosta de especiarias mais queijo meia cura, alcaparras e salsa crocante, que arrancou elogios do início do fim. Mas o melhor estava no prato principal: nós duas escolhemos cordeiro ao molho de vinho e especiarias na companhia de arroz de lentilha com cebola frita e coalhada. Di-vi-no! Carne desmanchando, molho saboroso na medida certa e a mistura da lentilha com arroz, cebola crocante e coalhada funcionou demais. Só pelo prato já valeria a pena os R$ 32 do Restaurant Week.

De sobremesa, escolhemos a torta de chocolate e gengibre, com textura bem levinha e sabor marcante. Não foi o mais surpreendente do menu, mas cumpriu bem a missão de finalizar um almoço tão gostoso. Valeu a pena ficar de olho no AK Vila 🙂

AK Vila
Rua Fradique Coutinho, 1.240 – Vila Madalena – São Paulo
Telefone: (11) 3231-4496

1 Comentário

  1. Arthur Gruber
    novembro 17, 2013 at 5:02 pm (8 anos ago)

    Barraca do AK Vila: uma propaganda enganosa.

    Há cerca de duas semanas atrás foi veiculado com grande cobertura na imprensa que a chef Andrea Kaufmann, chef do restaurante AK Vila, localizado na Vila Madalena, tinha montado uma barraca em frente ao restaurante. Esta barraca, cujo funcionamento deveria coincidir com o horário do restaurante, ofereceria lanches a preços acessíveis como falafel, sanduiche de cordeiro, etc. Eu já conhecia o AK da época em que estava em Higienópolis, oferecendo uma releitura moderna e cosmopolita da culinária judaica. Fá como sou do legítimo falafel (como aquele oferecido pela D. Malka no Bom Retiro) resolvi então ir conhecer a barraca na última terça-feira (12/11) com um colega meu, também professor na USP. Qual não foi nossa surpresa quando, ao chegarmos, vimos que não havia barraca nenhuma. O restaurante estava lotado e perguntamos ao que parecia ser uma atendente onde estava a barraca. Ele nos disse que não era do restaurante, mas, sim do evento (!!) e chamou então uma pessoa do staff do restaurante. Essa se desculpou dizendo que o restaurante estava fechado para um evento, e que o pessoal desse evento havia exigido que retirassem a barraca. Então é assim: você anuncia em toda a imprensa e blogs especializados que você abre uma barraca de lanches, uma semana depois você fecha o restaurante em pleno dia útil para um evento e danem-se os clientes. Gasolina, estacionamento, tempo perdido, etc. Bom…

    Resolvi então dar uma outra chance. Neste Domingo 17/11, fui com minha esposa para conhecer a tal barraca. Chegamos por volta das 13 horas e… Nada de barraca! Havia uma “hostess”, que nos disse que nesse dia não haveria a barraca. Aí alguém de dentro avisou que era para encaminhar para dentro, que eles hoje serviriam no salão. Já achamos estranho, afinal, isso ia contra toda a proposta de uma “comida de rua”. Nossa intenção era fazer comer um lanche. Adentrar o salão, pensei, era uma maneira de nos fazer consumir mais, pagar pelo serviço… Meus piores temores se mostraram verdadeiros. O garçom logo trouxe um menu de vinhos. Eu lhe disse que estávamos apenas para comer os sanduiches. Ele levou então o menu, mas deixou outro no lugar. Com a lista de sanduiches? Não, de drinques! Devo ter feito uma cara horrível, porque logo em seguida ele voltou e perguntou se estava tudo bem? Respondi-lhe “quase”, e que eu estava lá para comer os lanches da agora sonhada barraca, não para tomar vinhos ou drinques. Sem a menor simpatia, ele retrucou que eu deveria dizer isso ao maitre ou à Andrea. Alguns segundos depois, veio o maitre me perguntando se estava tudo bem. Mais uma vez lhe respondi: “quase”, e que gostaria de ver o cardápio de sanduiches. Ele me respondeu que não havia, que na verdade isso estava na lousa, do lado de fora onde “deveria” estar a barraca. Não me contive e lhe disse então que era a segunda vez que estava tentando conhecer a barraca, que tinha sido tão amplamente divulgada na imprensa, não para tomar vinhos ou drinques e que novamente estava me sentindo frustrado. Contei-lhe a história da terça e ele reconheceu que de fato havia ocorrido o evento. Usando de um tom bastante seco e superior”, nos disse que nesse Domingo eles haviam decidido servir os lanches no salão. Diante de uma total falta de consideração, simpatia pelo cliente e uma notória arrogância, me levantei e lhe disse que esse restaurante não merecia me ter como cliente, que eu não suportava esse nível de desrespeito e arrogância, indo embora a seguir.

    Então, vamos às conclusões… Está na moda falar de comida de rua. Isso, graças a alguns corajosos pioneiros que têm lutado contra leis arcaicas, preconceitos e demais ignorâncias do nosso País. O que faz o AK? Divulga que está aderindo a essa corrente. Contudo, uma semana depois fecha o restaurante e a barraca que deveria estar “atrapalhando” o importante evento, para total desrespeito de seus clientes. No Domingo, ora o Domingo… Almoço de Domingo é para se gastar! Tira a barraca de fora, serve os lanches no salão. No mínimo rolam uns drinques, vinhos, serviços e outros luxos. Uma refeição que deveria custar 15 reais logo chega a ganhar um zero a mais. Bom negócio!!

    Estou farto de ver como muitos restaurantes desrespeitam a inteligência, o bolso e a pessoa do consumidor. Eu já almocei no AK de Higienópolis, paguei uma conta bem cara e sabem o que mais? Achei ótimo! Só que naquele dia eu fui a um restaurante cuja proposta eu conhecia, os preços praticados eram compatíveis com essa proposta e, mais do que tudo, eu estava CONSCIENTE do que estava fazendo. Havia coerência e respeito entre o cliente e seu restaurante de escolha. A comida estava ótimo e todos ficaram felizes. Agora, no dia hoje me senti ofendido, constrangido, desrespeitado e, acima de tudo ENGANADO.

    Infelizmente, uma chef pela qual tinha grande respeito caiu bastante em meu conceito e não pretendo mais voltar nem para a tal da “barraca”, nem para o restaurante. Fui tratado pelo pessoal do restaurante como um schlepper. Pois este schlepper vai buscar comida em locais onde um schlepper seja bem tratado. Aliás, quem não souber o sentido da palavra, pergunte a algum amigo judeu.

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