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Três brasileiros entre os 100 melhores restaurantes do mundo: D.O.M, Maní e Roberta Sudbrack

30 abril, 2012

Só se falou nisso no Twitter hoje no fim da tarde (de quem gosta de gastronomia, claro, e não estava curtindo o feriado, claro claro): o restaurante D.O.M. tornou-se o 4º melhor restaurante do mundo, segundo a lista World’s 50 Best Restaurants da revista Restaurant, divulgada em Londres. Ponto para a gastronomia brasileira! Só que, quase simultaneamente, o que se viu foi um monte de gente comemorando – e parabenizando o chef Alex Atala – enquanto outras “xoxavam” a premiação. Rankings são sempre contraditórios por natureza e sempre causam a sensação de injustiça, mas querer desqualificar a lista por esporte é um pouco demais.

Mais importante que a colocação em si é a presença do Brasil lá e, principalmente, de um chef tão engajado em justamente valorizar o que temos de melhor por aqui. Não existe reconhecimento melhor para a cultura gastronômica brasileira, que prova que vai muito além do feijão, da farinha ou da cachaça. É tudo isso junto e muito mais, em diversas formas, texturas e sabores. Além da presença festejada Atala, duas gratas surpresas: o restaurante Maní (Helena Rizzo e Daniel Redondo) subiu 23 posições (74º ano passado para 51º em 2012); além disso, o restaurante de Roberta Sudbrack, conhecida como a chef dos presidentes, ficou pela primeira vez entre os 100 melhores, alcançando a 71ª posição. É ou não é para comemorar? Não importa se você nunca foi a esses restaurantes e se o melhor para você é aquela cantina do bairro com a macarronada que remete seus pensamentos à sua infância: saber que o Brasil tem potencial de reconhecimento em uma área que só cresce no mundo todo é bom demais. Em comum entre os três, o cuidado em usar ingredientes brasileiros (e em preservá-los) e a preocupação com o equilíbrio entre o paladar e a arte nos pratos.

Segundo matéria do UOL, “Atala retorna ao Brasil no fim da semana e comemora no sábado (5) o resultado da premiação durante a tradicional galinhada no seu restaurante Dalva e Dito (…) A Galinhada começa à meia-noite e pelo preço de R$ 59 o cliente se serve à vontade. Bebidas, serviço e valet são cobrados à parte.” Já na reportagem da Folha Online sobre o assunto dá para ver a lista completa dos 100 melhores. O site oficial do The World’s 50 Best Restaurants tem mais informações.

Você bebe vinho nacional?

3 abril, 2012

Quem é ligado nas notícias do universo da gastronomia deve ter percebido que está rolando um boicote contra vinhos nacionais. O que poderia parecer uma atitude elitista de restaurantes como D.O.M, do chef Alex Atala, ou de lugares como o Taste-Vin, é um movimento bem coerente de reação a algo feito pelos produtores da bebida no Brasil. Existe inclusive uma petição pública, que pode ser assinada online, para que as tentativas de implantar salvaguardas, com o dito fim de proteger o vinho brasileiro da concorrência internacional, sejam abolidas. De acordo com o Jornal do Comércio (RS), o vinho importado é responsável por 80% do consumo no país. E para frear isso, os grandes produtores querem aumentar a alíquota de importação, entre outras medidas protencionistas. Mas, isso mudaria a cabeça do consumidor, acostumado a preferir os vinhos franceses, espanhóis e portugueses em detrimento aos brasileiros? Ou o problema está na qualidade oscilante das marcas e em um passado no qual nem tudo eram flores?

Segundo a sommelière Gabriela Monteleone, em entrevista à jornalista Suzana Barelli, para o site revista Menu, já era difícil fazer com que os clientes aceitassem as sugestões de vinhos nacionais. A missão agora, com a salvaguarda colocando abaixo a reputação do produtos – tanto dos bons quanto dos ruins, agora parece ficar impossível. Achei o depoimento de Mario Telles Júnior, diretor da Associação Brasileira de Sommeliers em São Paulo (ABS-SP), a mais coerente e explicativo do cenário que está por vir: “Antes da abertura de mercado e da chegada dos diversos rótulos de vinhos importados, o Brasil não contava com o sommelier profissional, não tinha todos os empregos gerados pelas importadoras, os restaurantes não tinham carta de vinhos completas”, contou ele à Suzana (o trecho foi retirado da reportagem).

Visto pelo lado do consumidor, o ato de Gabriela Monteleone em tirar os vinhos nacionais das cartas do D.O.M e do Dalva e Dito, assim como a do chef Rodrigo Fonseca (Taste-Vin) e de outros, é uma forma de proteger o direito de escolha dos clientes. O problema é que se trata de uma retaliação sendo ameaçada por outra retaliação. E aí ao invés de evitar que nós paguemos a conta, que certamente aumentará diante desse cenários, a situação levará à elevação efetiva dos preços e à diminuição da oferta e da variedade de vinhos. Fui assessora de uma marca de espumantes nacional e senti na pele o preconceito que há na área, mesmo a vinícola sendo de uma região respeitada no meio, a Serra Gaúcha. Só nos resta torcer para que Carlos Paviani, diretor-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), se entenda com fornecedores, produtores, restaurantes e chefs. E que o acordo não faça o mercado de vinhos no Brasil retroceder.

Bar Léo e a polêmica do chopp

2 abril, 2012

Sou carioca e nunca fui ao Bar Léo, tradicional reduto paulistano que foi fechado pela polícia na última semana. Tradicional e muito conhecido dos moradores da cidade, o espaço funcionava há mais de 70 anos e fica no centro de SP, na rua Aurora, na Santa Efigênia. Agora, corre o risco de fechar definitivamente as portas por causa de uma prática condenável: fingia vender chopp Brahma mas entregava o Ashby. De acordo com um antigo funcionário, que parecia envergonhado ao falar com a reportagem de um telejornal, a troca foi feito há cerca de dois meses. O que faz um lugar tão reconhecido partir para este tipo de artimanha em busca de lucro?

O problema está em ludibriar o consumidor, esse pobre ser que pode ser representado por mim, por você ou por vizinhos, parentes, amigos. Essa criatura tem pago caro para comer fora de casa e mesmo assim busca conhecer novidades, prestigiar o que já sabe que é bom e dá chance para lugares que parecem não ter encontrado o rumo ainda (ok, essa sou eu). Se um bar aberto ontem fizesse esse tipo de falcatrua, já seria péssimo. Mas sendo o Bar Léo, histórico em São Paulo, há de se questionar: se para o consumidor está ruim, quer dizer que para o comerciante está ainda pior?

Nada justificativa a atitude, mas vale a reflexão sobre aonde vamos parar com preços tão altos, que atingem tanto o restaurante badalado quanto o bar tradicional. Na teoria, quanto mais concorrência, melhores os valores. Na prática, existem cada vez mais opções gastronômicas na cidade e tudo só continua a subir. E é por isso que fico tão indignada quando pago, por exemplo, sei reais numa garrafinha de água ou num refrigerante, só porque o mesmo foi consumido nos Jardins, ou no Itaim, ou na Vila Olímpia, ou no raio que o parta.

Pelo o que li a respeito em sites e outros blogs, o bar não vinha lá muito bem das pernas. Parecia ter perdido a essência do bom atendimento e os petiscos já não eram tão saborosos como outrora. E um de seus pontos fortes era justamente o tal chopp Brahma cremoso e bem tirado. Agora, corre-se o risco de ficar sem Bar Léo de verdade e pessoas como eu não terão nem como conhecê-lo. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Vale a pena experimentar marcas desconhecidas na hora de cozinhar?

31 agosto, 2011

Quem gosta de cozinhar, como eu, acaba escolhendo algumas marcas preferidas, aquelas que ajudam a transformar aquela receita especial em realidade. Mas, para fazer diferente, decidi preparar um prato que é minha especialidade usando produtos da linha Bom Preço, do Walmart. E adorei o resultado :)

Estou acostumada a usar o arroz Tio João, que não precisa ser lavado, por isso fiquei feliz em ver que o produto dessa linha também pode ser preparado sem pré-lavagem já que, como diz na embalagem, “o polimento dos grãos é feito pelo processo ‘water polish’ – polimento com água potável, fortalecendo o brilho natural do produto sem aditivos químicos”. O melhor é que ele ficou soltinho e branquinho, e só usei azeite, alho e cebola no cozimento.

O molho de tomate, produzido e embalado por uma grande empresa conhecida pela qualidade dos produtos, não fica devendo em nada em sabor, cor e tempero se comparado a outras marcas. Meu pai há tempos me falava que é importante checar quem é o fabricante do produtos antes de comprar, já que muitas vezes pagamos mais caro pela “grife”. Na embalagem, curti a dica de reciclagem, que estimula a prática em todos os produtos Bom Preço:

O creme de leite também surpreendeu positivamente, apesar da textura ter ficado um pouco menos aveludada – provavelmente por conta da redução do teor de gordura do produto, que tem 20% menos que o tradicional. O que importa mesmo, que é o sabor, não mudou em nada – apenas a coloração final do strogonoff é que ficou um pouco mais alaranjada.

Finalizei o prato com batata palha sabor cebola e salsa, crocante como tem que ser e com sabor suave – que não “brigou” com o resto da refeição. Valeu a pena experimentar! E ainda economizei R$ 3,05 – os mesmos produtos nas marcas líderes custariam R$ 9,50, mas os da linha Bom Preço somaram apenas R$ 6,45, uma diferença que dentro de uma compra mensal, conta muito!

O Melhor de São Paulo 2011/2012 – Época São Paulo

29 agosto, 2011

Já falamos aqui sobre os vencedores da edição O Melhor de São Paulo da revista Época São Paulo do ano passado. Ontem foi publicação a eleição 2011/2012, com a manutenção de categorias fixas e a criação de novas, que vão mudam a cada ano.

Imagem do site da revista Época São Paulo

Houve alguns bicampeões como o Brasil a Gosto, eleito o melhor brasileiro (o Mocotó ganhou pela Escolha do Leitor) e o Kinoshita (melhor japonês). Já o D.O.M levou o prêmio de melhor contemporâneo pela terceira vez consecutiva (também ganhou pela Escolha do Leitor).  Também pelo terceiro ano, o Fasano foi premiado como o melhor italiano, mas a Escolha do Leitor ficou com o Biondi, especializado em massas frescas.

Entre as categorias “novas”, destacam-se (não listamos todas):
Vegetariano: Moinho de Pedra
Comfort Food: Amici
Tapa: Torero Valese
Hamburguer: 210 Diner (post em breve)
Arroz-doce: Oryza (em nossa lista do SPRW)
Prato com ovo: Cantaloup
Picadinho: Na Cozinha
Focaccia: Zucco

Alheira: Cervejaria Nacional
Coxinha: Veloso
Bruschetta: Adega Santiago
Brigaderia: Maria Brigadeiro (a gente já sabia! :) )
Sorvete de frutas brasileiras: Taperebá

Já entre as categorias sempre presentes, boas novidades:
Restaurante novo: Epice (também ganhou de melhor barriga de porco)
Francês: La Brasserie Erick Jacquin (Leitor: Sarrasin Galetterie)
Carne: Baby Beef Rubaiyat (Leitor: Templo da Carne Marcos Bassi)
Pizzaria: A Tal da Pizza (Leitor: Speranza Moema)
Bar para comer: Bar da Dona Onça (Leitor: La Tapa!)
Café: Coffee Lab (segundo ano)
Doceria: Pâtisserie Douce France (Leitor: Condimento)
Megapadaria: St. Etienne (Leitor: Bella Paulista)
Lanchonete: Lanchonete da Cidade
Sorveteria: Bacio di Latte (Leitor: Häagen-Dazs Jardins)

Vale a pena comprar, guardar, conferir alguns dos eleitos e comparar ano a ano como as escolhas vão mudando de acordo com a abertura de novas casas e o movimento natural dos restaurantes.

O Melhor de São Paulo – Revista Época

26 agosto, 2011

A revista Época São Paulo publica em setembro a quarta edição do prêmio O Melhor de São Paulo, que tem um júri especializado e também eleição popular. Já votamos por lá e esperamos que o resultado seja mais justo do que o publicado no Especial de Melhores Hambúrgueres, no início do ano.

A capa acima é da edição do ano passado. Se você não lembra do ganhadores, seguem abaixo os principais vencedores de 2010/2011. Afinal, é sempre bom saber quem são os “novos” melhores e porquê, principalmente na hora de escolher aquele restaurante especial para comemorar o aniversário de casamento ou optar por essa ou aquela sorveteria para aplacar o calor em um dia de sol. Você concorda com quem venceu em 2010? Mudaria algum?

Italiano: Fasano (Escolha do leitor: Così)
Churrasco Argentino: 348 Parrilla Porteña – Vila Olímpia
Nhoque: Vecchio Torino
Prato com peixe de água doce: Tordesilhas
Dim Sum: Ping Pong
Pizza: Bráz – Moema (Escolha do leitor: Pizza Bros – Itaim)
Brasileiro: Brasil a Gosto

Teishoku: Miyabi
Filé à milanesa: Nou
Contemporâneo: D.O.M
Couvert: Dalva e Dito

Arroz com feijão: Beth Cozinha de Estar
Melhor restaurante do centro: La Casserole
Carne: Varanda Grill
Risoto: Fasano
Francês: Ici Bistrô (Escolha do leitor: Le Jazz Brasserie)
Japonês: Kinoshita (Escolha do leitor: A&C Sushi Bar)



Casa de Lamen:
Lamen Kazu
Brunch: Emiliano
Bistrô com preço de bistrô: Le Jazz Brasserie
Feijoada: Bar da Dona Onça

Bar para comer: Bottega Bottagallo (Escolha do leitor: Assim Assado)
Escondidinho: Lapinha
Cupcake: Wondercakes
Hambúrguer à moda antiga: Sujinho
Café: Coffee Lab
Chocolateria: Cau Chocolates – Jardins
Fatia de bolo: Brigadeiro Doceria & Café

Batata frita tradicional: General Prime Burger
Batata frita reinventada: Lanchonete da Cidade
Megapadaria: Maria Louca (Escolha do leitor: Bella Paulista)
Lanchonete: St. Louis (Escolha do leitor: Lanchonete da Cidade – Moema)

Sorveteria: Vipiteno (Escolha do leitor: Häagen-Dazs)
Temakeria: Koni Store
Rotisseria: Loja de Fábrica

Ainda sobre os arrastões em restaurantes de SP

27 março, 2011

Na última sexta-feira, dois suspeitos de praticar assaltos em restaurantes de São Paulo, principalmente na Zona Oeste, foram detidos. Da mesma quadrilha, as autoridades já haviam prendido um homem, por outros delitos. No entanto, a notícia de que existem dois grupos atuando, trocando informações entre si, faz com que continuemos intranquilos  de sair para jantar sem riscos.

Mesmo com o reforço que bares e restaurantes de Pinheiros, Vila Madalena e Jardins em termos de segurança, fica difícil não pensar a respeito. Claudia, eu e nossos respectivos jantamos no Le Petit Trou na sexta, para conhecer o cardápio do Restaurant Week, mas houve receio desde o dia da reserva até deixarmos o restaurante (post em breve). Ainda bem que foi tudo ótimo e sem sobressaltos.

Abaixo, algumas dicas de como se portar caso seja vítima de um assalto deste tipo, a fim de evitar um mal pior. Elas foram publicadas no site da Veja SP (matéria completa), tendo como fontes a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Instituto Sou da Paz:

■ A principal recomendação é não reagir.

■ Entregue tudo o que eles pedirem. Não vale a pena arriscar sua vida para esconder chaves, celular ou joias.

■ Procure não encarar os assaltantes.

■ Se a polícia o intimar a depor, colabore.

■ Faça sempre boletim de ocorrência.

■ Tenha à mão o telefone do seu banco para sustar cartões de crédito e talões de cheque.