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Ni Hao!

8 fevereiro, 2013

Por Mario Guanaes

É assim que serão recebidos aqueles que forem ao Banquete de Ano Novo no Jasmim. O cardápio especial para comemorar a data (oficialmente 10/02 na China) será servido entre os dias 9 e 17 de fevereiro. O chef Paulo Tung, filho de chineses, conta que a tradição, não muito diferente daqui, é reunir amigos e familiares em torno de uma mesa redonda (para que a sorte sempre fique no entorno), com abundância e fartura. E fartura é o que não falta: são quatro pratos frios servidos como entrada e nada menos que oito pratos quentes! Seguidos ainda por mais
duas ou três sobremesas.

Banquete de Ano Novo Chinês no restaurante Jasmim até o dia 17/2

Banquete de Ano Novo Chinês no restaurante Jasmim até o dia 17/2

É tanta comida que, me perdoem os fãs do texto cursivo, tomarei a liberdade de colocar em “bullets” para não me perder!

Entradas (pratos frios)

• Frango Cozido no gengibre com cebolinha e saquê

O tempero do prato é muito bom, mas tem que gostar de frango cozido. E com pele, como é costume deles. Não é o meu caso, mas jamais deixaria de provar!

• Folha de Soja enrolada e cozida em temperos especais

Tinha tudo pra ser um prato sem graça, mas definitivamente vale cada pedacinho. Lembra tofu, só que com gosto (rs!).

• Peixe cozido com shoyu, gengibre e gergelim

Nem parece cozido, vem fatiado e sequinho, parece frito. Muito gostoso mesmo e quase sem espinha.

• Água viva coberta com frango desfiado

Não foi servido na degustação, o maître explicou-nos que, por não estar fresca no fornecedor, preferiram não preparar.

Pratos Quentes

Todos servidos com arroz branco, o Gohan típico, que sinceramente, diante de tantas e tão saborosas preparações, só serviu mesmo pra acompanhar os molhos fartos e deliciosos e dar uma limpada no paladar antes de atacar o próximo prato!

• Camarão ao molho branco com saquê

Embora eu às vezes tenha uma tendência a ser entusiasta, raramente exagero. E sem nenhum superlativo, é uma das melhores receitas com camarão que comi na vida (e não foram poucas, sou doente pelo bichinho!). E nunca pensei que camarão, que é tem um sabor mais adocicado, pudesse combinar tão bem com ervilha torta. Farei sempre agora!

• Charuto de folha de soja com carne suína ao molho de cebola, bambu e champignon

De comer rezando, principalmente para os fãs do guioza, pois os recheios são bem parecidos. A apresentação e a textura da folha de soja lembram muito o charuto dos libaneses. E o molho… ah, o molho! Um capítulo à parte nesse prato: levemente adocicado, contrastando com o gengibre e a
carne de porco, sensacional!

• Pato defumado, servido com pão chinês branco

A vida inteira tive um preconceitosinho com pato. Perdi. Se entendi direito o que falava o chef Paulo do outro lado da mesa, este prato demora três dias para assar. E, acreditem, vale cada minuto. Muito bem temperado e com aquele laqueadinho por fora que faz toda a diferença. O pão é gostoso, fofinho como o nosso sovado, mas achei meio adocicado para acompanhar pato.

• Frango com linguiça doce

Vamos e venhamos, linguiça doce não é uma coisa que se ouve por aí, todos os dias. Mas esse é um prato que vale a Aventura Gastronômica da vez! Confesso que o frango até fica meio apagado com essa linguiça por perto! Nunca gostei muito de frango cozido, mas esse no vapor até que é bem gostosinho.

• Cabeça de Leão

Acredito que não há uma só mente “formada” na cultura ocidental que, ao ouvir o anúncio desse prato, não pense logo em alguma “bizarrice oriental”. Afinal, eu já estava preparado até para comer águas-vivas! Mas, para alívio e agradabilíssima surpresa, trata-se de almôndegas de carne suína (!), acompanhada com (mais um) maravilhoso molho. Acredito que esse e o prato com camarões sejam os dois pontos altos do banquete.

• Peito de Frango e aspargos

Com tempero exclusivo e secreto do Paulo, quase compete com as Cabeças de Leão. Legumes cozidos no ponto certinho, com aquela crocância oriental típica e o frango bem seladinho. Delícia e bem leve, quase light (rs).

• Tofu temperado

Uma mostra de que a tradição exige que o banquete tenha fartura, esse Tofu é acompanhado por nada menos que presunto, lombo, frango e camarão. Não gosto muito nem de tofu nem de muitos grupos de carnes no mesmo prato, mas ainda assim é um prato saboroso e vale a experiência.

Sobremesas

• Arroz doce chinês

Não, não espere que se assemelhe ao nosso típico paladar junino: feito com moti, tem aquela pitadinha ácida do vinagre de arroz, e menos doce que o nosso. Vem recheado (sim, o pudim de arroz é recheado) com doce de feijão preto (azuki, aquele dos docinhos japoneses) e coberto de
frutas cristalizadas, passas e calda. Lindo e completamente fora do nosso padrão de sobremesas. Divino.

• Ameixa recheada

A outra opção de sobremesa é a ameixa (daquelas amarelinhas) recheadas com o arroz doce acima. Também bem gostosas e ainda mais bonitas à mesa.

Banquete de Ano Novo Chinês no restaurante Jasmim

Banquete de Ano Novo Chinês no restaurante Jasmim

Para acompanhar tudo, são servidos dois molhinhos de pimenta, um MUITO picante, acredito eu que com malaguetas frescas, COM SEMENTES! O outro, tive a impressão de que é feito com pimentas defumadas, bem menos picante e mais saboroso. Mas ainda assim, ambos “apenas para os fortes”. Ou para chineses, tailandeses, indianos e mexicanos! (rs)

Enfim, muita comida, muitos aromas, e temperos, e sabores, e cores, e texturas e… muita cultura. É fantástico saber a razão de ser de cada prato, de cada ingrediente, na culinária e na cultura chinesa como um todo. Tantos detalhes que, confesso, escaparam à minha memória. Mas com as mãos ocupadas com ohashis e taças, e os sentidos extasiados, não há como se concentrar em outra coisa que não o que está no prato.

O Banquete de Ano Novo estará no Jasmim entre dos dias 9 e 17 de fevereiro de 2013 e tem um valor único de R$120 por pessoa. Que não me acusem de “gastão” os que acharem que de novo estou justificando o valor de um cardápio, mas vamos lembrar que são 12 pratos FARTOS mais as sobremesas, com combinações de ingredientes e temperos ora muito tradicionais, ora exclusivos.

E que eu não soe entusiasta demais, de novo, mas esqueça o fast-food: parece-me que não se conhece a culinária chinesa (sem ir pra China, claro), até que se conheça um restaurante como o Jasmim.

Restaurante Jasmim
Aberto de segunda a domingo, das 6h às 23h
Rua Galvão Bueno, 700 – Liberdade -SP
Informações e reservas: +55 11 3385 3405

Crepes na Bretanha

15 junho, 2012

Minha última viagem na França foi até a Bretanha, região conhecida por ser a mais chuvosa do país, e também famosa por sua culinária – eles fazem os melhores crepes que já comi na vida!

Esse da foto é de champignon! Uma delícia! E normalmente, pra acompanhar um crepe devemos beber cidra:

Sim, na Bretanha se bebe cidra numa espécie de caneca. =P

Tradicionalmente, o crepe salgado é feito de trigo sarraceno (blé noir), que, na verdade, é uma planta da família do morango, próxima também do arroz, de origem asiática. Eu comi o grão antes de virar farinha e tem um gosto estranho, lembra o gosto de pólen (aqueles que são vendidos em lojas de produtos naturais).  E vale dizer que o trigo sarraceno não tem gluten!

Pra fazer o crepe de trigo-negro, basta mistura a farinha de trigo sarraceno e água. Bata bem, deixe descansar e a massa está pronta. Ela tem um gosto particular, um pouco mais amargo do que o sabor da farinha de trigo branca.

E na Bretanha, eu participei de uma “soirée crêpe” (noite dos crepes) e até tentei fazer um crepe… dá pra ver o desastre em três imagens:

A ideia é usar esse “rodinho” pra espalhar bem a massa, mas eu não consegui fazer muito bem… =(

Depois dos crepes prontos – dá pra ver a pilha de crepe aí no canto na foto – a gente esquenta o crepe e põe o recheio que quiser: queijo, presunto etc. Mas o mais legal é colocar um ovo, sim, sim, um ovo:

Primeiro, quebra-se o ovo sobre o crepe, em seguida ele deve “passear” pelo crepe:

Depois, podemos por mais o que tivermos vontade. E ele fica assim, bem lindinho (e gostoso)!

Portugal: Travesseiros

30 abril, 2012

Dá pra acreditar que existe um doce chamado travesseiro? Taí a foto que comprova!

É uma massa folhada recheada com doce de ovos e creme de amêndoas, cada um custa 1,25 euros. Bem quentinho é uma delícia! Crocante por fora e com um recheio macio com gostinho de amêndoa.

Os travesseiros são os doces tradicionais da cidade de Sintra (que fica a cerca de 30 km de Lisboa), e os melhores são vendidos na Piriquita – Antiga fábrica de queijadas de Sintra, fundada há cerca de um século e meio.

Lá também são vendidas as queijadas de Sintra, pequenas tortinhas que levam queijo na massa (e quase não se percebe o gosto) que também são boas, mas eu preferi os travesseiros. =P

Uma curiosidade, perguntei porque esse nome, e na confeitaria me explicaram que era o nome da proprietária (D. Piriquita ou Constância Gomes), chamada assim por ser pequena.

Piriquita I e II
Rua das Padarias, 1 e 7 – Sintra

Lisboa: Vinho verde

29 abril, 2012

Uma das delícias de Portugal é o vinho verde. Experimentei numa tasca (super pequena) onde fui escutar um pouquinho de fado.

Ele é fresco e leve, acompanha perfeitamente um bolinho de bacalhau. É pouco alcoólico, levemente efervescente e dá pra beber (quase) como se fosse limonada. Mas preciso confessar que depois de uns copos de vinho verde e uns fados, já tava quase chorando de saudade do Brasil…

O vinho verde, ao contrário do que muita gente pensa, não é produzido a partir da uva verde, leva esse nome por vir da região dos Vinhos Verdes, assim como o espumante fabricado na região de Champagne na França leva o nome de Champagne.

Aqui na Europa cada país e cada região fazem enormes esforços pra preservar as tradições, para manter a maneira de preparar mais ancestral e que valoriza a cultura local.

No caso do vinho a preservação e manutenção de regras no preparo dão direito a um certificado de origem controlada (outros produtos também podem ter também). Para se ter uma ideia, aqui na França os vinicultores não podem regar as vinhas, dependem totalmente da chuva e da natureza – essa é uma das regras.

A região dos Vinhos Verdes fica no noroeste de Portugal, entre o Douro e o Minho, e produz 92 milhões de litros por ano. As características do Vinho Verde devem-se ao clima, ao solo, a fatores socio-econômicos, às peculiaridades das castas de uvas que existem na região e também a maneira de cultivar as vinhas.

Um vinho a experimentar em Portugal! E se quer saber um pouco mais sobre o Vinho Verde entra neste site. =)

Lisboa: Sorvetes Santini

28 abril, 2012

Como todo mundo sabe eu adoro sorvete! E andando pelas ruas do Chiado em Lisboa, vi a Santini e pensei que fosse uma marca italiana, mas não, é a sorveteria mais tradicional de Portugal. Ela existe desde 1949 e se gaba de ter os melhores gelados do mundo.

Claro que tive que provar pra ver se era verdade.

O cone com dois sabores custa 2,50 euros e eu optei pelos sabores de amêndoas e mousse de chocolate. E mesmo é muito bom. Denso e cremoso, é o meu segundo sorvete preferido, só perde pra sorveteria Bertillon em Paris (que é mais cara…).

Isso sem falar que o atendimento no balcão é uma maravilha! Tinha três moços gatíssimos, enfim, bem simpáticos que me deram sugestões de escolhas. Vale muito dar uma passadinha num fim de tarde.

E uma nota cultural, em Portugal, gelado é sorvete. =P

Sorveteria Santini
Rua do Carmo, 9 – Lisboa
das 11h à meia-noite

Lisboa: Loja Manuel Tavares

27 abril, 2012

Imaginem o paraíso dos amantes do vinho do porto, é a loja Manuel Tavares! Uma das mais tradicionais lojas de Lisboa – existe desde 1860 –  é uma mercearia fina que vende desde vinhos a azeites, passando por chocolates e doces típicos e também embutidos e chouriços.

Gostei muito dela por ter preços bastante razoáveis, atendimento simpático e também ser frequentada por lisboetas – assim ela não me parece uma armadilha pra turistas.

Lá eu comprei vinho do porto e também amêndoas cobertas de chocolate meio amargo (por 8,10 euros o quilo!). A melhor parte é que o pessoal da loja explica a diferença entre os tipos de vinho do porto, e assim fica mais fácil saber o que comprar e  não se arrepender depois.

E para quem é apaixonado pelo vinho do porto pode se informar melhor sobre esse vinho português no site do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro que explica os diferentes tipos, em que momento da refeição devemos bebê-los e também dá dicas de roteiros gastronômicos. Sem falar que eles têm uma loja em Porto, onde é possível fazer degustações e também visitas guiadas.

Eu, pessoalmente, adoro vinho do porto – são fã de vinhos licoros! Porto, Muscat… hum!

Pra saber mais

O vinho do Porto é um vinho licoroso com um teor alcoólico elevado (entre 19 e 22%), com uma variedade enorme de doçuras e cores. É produzido na região do Douro e sua produção segue regras bastante específicas. Ele se divide em duas categorias a partir da forma de envelhecimento: os Rubys que são envelhecidos em garrafa e os Tawnys em cascos ou tonéis.

Dentro dessas categorias ainda vão existir subdivisões e colheitas de prestígio. O porto Ruby costuma ter cor tinta e aroma frutado e são divididos em Ruby, Reserva, LBV e Vintage. O porto Tawny tem cores que variam do tinto-alourado ao alourado claro e os aromas lembram madeira e frutos secos, e as suas categorias variam de acordo com o tempo que passaram em barris (10, 20, até 40 anos).

E o interessante é que saber que o juiz mais importante na hora da compra é o seu paladar, se prefere algo mais doce ou seco, frutado ou amadeirado. =)

Um bom vinho do porto pode custar de 10 euros a centenas (ou milhares), a depender da colheita, do tempo de maturação, da marca….

Loja Manuel Tavares
Rua da Betesga, 1 – Lisboa

Lisboa: Ginja

26 abril, 2012

Em Portugal existem algumas bebidas típicas e entre elas está a Ginja (ou Ginjinha), um licor feito a partir de um tipo de cereja selvagem.

A ginja pode ser bebida como aperitivo ou ao final da refeição, além de poder ser usada na preparação de pratos. Ela é menos conhecida do que o vinho do Porto, apesar de ser bastante popular entre os portugueses.

Eu experimentei esse copinho da foto (e dentro tinha um ginja, que comi no final) e achei bem, bem gostosa! O pessoal que estava no mesmo albergue que eu também experimentou (em copinhos de chocolate) e adoraram.

A ginja pode ser encontrada e quase todo e qualquer estabelecimento em Lisboa e copinho custou 1 euro. Agora vamos a degustação: eu achei que tem bastante gosto de cereja e mesmo sendo um pouquinho forte é bem saborosa e a fruta tinha gosto de cereja em calda. =P

As duas melhores marcas  de Ginja são a M.S.R. de Alcobaça e Ginja de Óbidos e podem ser encontradas em lojas especializadas em vinhos e afins em Lisboa. E a garrafa custa entre 10 e 15 euros.